PontesVolume 8Número 2 • abril de 2012

Editorial


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Estimado(a) leitor(a),

Em meio à incerteza derivada tanto da situação econômica global quanto da ausência de compromissos multilaterais expressivos na área ambiental, a comparação entre as estratégias empregadas pelos Estados tem ganhado destaque considerável. Outros atores, como os grupos organizados da sociedade civil e as empresas, também merecem atenção, já que podem propor caminhos alternativos para o tratamento dos desafios contemporâneos.

Tendo em vista essa realidade, nosso artigo de abertura, assinado por Carina Costa de Oliveira, aborda a participação da sociedade civil nas discussões anteriores à Rio+20. Sua principal conclusão é a de que a ausência de critérios claros para organizar essa atuação, somada aos problemas de articulação observados, explicam a limitada influência dos grupos da sociedade civil na produção de documentos oficiais.

Em um momento em que medidas protecionistas são cogitadas por diversos países, Anna Camboim trata da avaliação de impactos, demonstrando a sua centralidade para o estabelecimento de uma norma técnica. Conforme mostra o texto, tal exercício exige um olhar preocupado com um considerável conjunto de variáveis, a fim de assegurar um equilíbrio na função regulatória dos Estados.

Inspirado na experiência de três protagonistas no tema – China, Estados Unidos da América (EUA) e União Europeia (UE) –, o editorial deste número aborda o processo de consolidação das políticas de promoção às energias limpas, considerando três estágios: a afirmação do discurso oficial, a fixação de metas e o estabelecimento de incentivos. Já Jorge Arbache, Andrea Goldstein e Felipe Marques discutem a importância crescente dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para os países emergentes. A experiência brasileira constitui o foco da análise, a fim de identificar as potencialidades e as limitações do país na (nova) geografia da inovação.

Ainda, este número do Pontes traz duas análises voltadas à África. Com base na percepção de empresários brasileiros, Roberto Iglesias e Katarina Costa enumeram as principais barreiras para o investimento naquele continente – entre as quais a instabilidade institucional, a falta de mão-de-obra e de infraestrutura. Jodi Keane, por sua vez, preocupa-se com a influência do regime de mudanças climáticas sobre as estratégias de diversificação produtiva dos Estados africanos menos desenvolvidos.

Finalmente, Renato Baumann argumenta que as preferências comerciais obtidas no nível regional pelos outros países BRICS – Rússia, Índia, China e África do Sul – podem acarretar dificuldades crescentes para a inserção de produtos brasileiros nessas porções do globo. Em outras palavras, eventuais ganhos de produtividade do Brasil seriam anulados pela existência de tarifas superiores às estabelecidas para outro país emergente.

Esperamos que aprecie a leitura.

A Equipe Pontes

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