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Uma das principais polêmicas de 2012, o debate acerca do Código Florestal deverá seguir por muito tempo. Engana-se, porém, quem considera que o tortuoso processo para a aprovação da nova legislação ocupará o centro das discussões. É provável que a controvérsia se mantenha viva nos próximos anos, com uma intensa comparação entre os benefícios e as desvantagens derivadas do novo Código. Trata-se de um exercício dos mais complexos; afinal, estamos diante de um desafio cujos condicionantes se inter-relacionam de inúmeras formas. Aproximar os ideais da preservação ambiental e da exploração econômica do território brasileiro representa uma tarefa hercúlea, sendo necessário reconhecer que, não raramente, mais do que promover um alinhamento, a sociedade terá que manifestar suas preferências.
Tendo em vista a complexidade do tema, faz-se necessária a promoção de debates capazes de ampliar as perspectivas daqueles que se interessam pelo significado e impacto do Código Florestal. A edição do Pontes que chega até você, prezado(a) leitor(a), oferece distintos pontos de vista para as mesmas questões: qual o significado da reforma do Código Florestal? Quais deverão ser as suas principais consequências? Ademais, as posições sustentadas nos artigos assinados por Laura Antoniazzi, Roberto Smeraldi e Karen Windham-Bellord são indicativos da complexidade do tema. Merecem destaque, por exemplo, dois pontos que, embora abordados indiretamente, lançam as sementes para futuras discussões no Pontes: existe uma tensão latente entre os sinais oferecidos pelo mercado – incentivos à ação econômica dos indivíduos – e as restrições impostas pelo novo Código? Que tipo de relação haveria entre tais dimensões?
Não apenas de Código Florestal, porém, trata este número do Pontes. A presente edição guarda espaço para apresentar análises sobre outros dois temas que ocuparam as capas dos jornais em 2012. O editorial desta edição discute os principais resultados – ou a falta deles – obtidos pelos negociadores presentes na Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês), realizada em Doha. Finalmente, Vinicio Meza descreve a importância da Ásia para a Parceria Trans-Pacífico (TPP, sigla em inglês), iniciativa comercial que deverá ocupar um espaço crescente no cenário internacional ao longo da próxima década. O autor aponta, ainda, para algumas possibilidades de articulação política dos países latino-americanos diante desse contexto.
Este número do Pontes, como de costume, começa com inúmeras perguntas. Não poderia ser distinto; em seu novo formato, a publicação deseja aprofundar a sua vocação de promotora de debates relevantes nas áreas de comércio e desenvolvimento sustentável. Parte fundamental de qualquer discussão, você, nosso(a) leitor(a), é o protagonista desse esforço. Por isso, gostaríamos de convidá-lo(a) a comentar as notícias publicadas no site do Pontes. Caso queira escrever-nos um e-mail, o endereço é [email protected].
Esperamos que aprecie a leitura.
A Equipe Pontes
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