Pontes • Volume 5 • Número 3 • agosto de 2009
Turismo internacional, crise econômica global e o vírus influenza A(H1N1)
by Geoffrey Lipman
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A última edição do UNWTO World Tourism Barometer confirma a contínua queda na demanda pelo turismo internacional em 2009. Todas as regiões apresentaram resultados negativos no período compreendido entre os meses de janeiro e abril, à exceção da África. Incertezas relacionadas à situação econômica global continuam a afetar a confiança do consumidor e, assim, a demanda pelo turismo. O prognóstico revisado da Organização Mundial do Turismo (OMT) para 2009 prevê queda de cerca de 5% no turismo internacional.
Estes resultados refletem o impacto severo da crise econômica global e dos efeitos a ela relacionados, os quais foram exacerbados em algumas regiões do mundo devido à preocupação com o surto do vírus influenza A(H1N1).
Cabe destacar que, apesar da mudança, em 11 de junho, no nível de alerta de 5 para 6, o que deu ao surto do vírus status de pandemia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomenda restrições a viagens. A mudança para o nível 6 é baseada na difusão geográfica do vírus e não na sua severidade. Devido à rápida deterioração da situação econômica global, as previsões da OMT para 2009 foram revisadas e reformuladas sob uma perspectiva mais pessimista. Com efeito, espera-se que o turismo internacional sofra queda de cerca de 5% no ano.
As atuais circunstâncias sugerem que o ano de 2009 será pior do que inicialmente previsto: o desemprego aumenta rapidamente em países essenciais para o mercado do turismo; as flutuações nas taxas de câmbio somam-se à incerteza generalizada do cenário econômico; e a confiança dos consumidores e do próprio ramo dos negócios ainda não foi recuperada. Além disso, o pequeno número de reservas adiantadas, somado à redução da capacidade aérea, torna improvável a recuperação do setor antes de 2010.
A situação econômica global continua a ser excepcionalmente volátil e os seus resultados finais dependerão essencialmente dos impactos da evolução das condições atuais do setor sobre a confiança de consumidores e empresários. Há, ainda, incerteza quanto ao futuro do vírus influenza A(H1N1) e a seus efeitos sobre a demanda no turismo nos curto e médio prazos.
A resposta da OMT para a ameaça do vírus influenza A(H1N1)
Desde o início do surto do vírus, em abril de 2009, a OMT esteve ativamente envolvida em esforços de coordenação e comunicação nos setores de viagens e turismo. A Organização estabeleceu contato regular e ativo com o sistema da Organização das Nações Unidas (ONU), em particular com a OMS, o Sistema de Coordenação para o Influenza das Nações Unidas (UNSIC, sigla em inglês), a Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO, sigla em inglês) e o Departamento de Informação Pública das Nações Unidas (UNDPI, sigla em inglês). Internamente, a OMT reforçou a sua preparação por meio da criação de uma Seção de Gerenciamento de Riscos e Crises, ponto central de coordenação com a ONU no tocante a pandemias.
Os objetivos gerais das atividades da OMT são: facilitar a comunicação rápida e dirigida e prover informações relevantes em tempo real; fomentar a disseminação de informações consistentes por todo o setor de viagens e turismo; minimizar os impactos da pandemia no setor por meio da cooperação com Estados Membros, ONU, OMS, UNSIC e Rede de Respostas Emergenciais ao Turismo (TERN, sigla em inglês); e prover orientação e assistência aos Estados Membros da ONU.
A fim de cumprir tais objetivos frente à pandemia do H1N1, a OMT se mobilizou em três instâncias. Primeiramente, no próprio sistema da ONU, a OMT participa ativamente dos esforços de coordenação com OMS, ICAO e UNSIC para assegurar que as preocupações e o posicionamento do setor de viagens e turismo sejam considerados no processo de tomada de decisões.
Em segundo lugar, em nível nacional, a OMT ativou imediatamente a estrutura do Ponto Focal do Influenza que fazia parte da preparação para o combate à Gripe Aviária. A organização proveu regularmente ao órgão informações atualizadas, diretrizes e lições aprendidas com exercícios prévios de simulações de pandemias.
Por fim, no tocante à indústria, a OMT manteve contato próximo e coordenou encontros frequentes com a OMS e a TERN. Essa é, atualmente, uma das associações mais importantes para a rede de viagens e turismo internacional, tanto para o setor privado quanto para o público. A cooperação ativa entre OMT, TERN e OMS possibilitou a compreensão sobre necessidades, posicionamentos e preocupações do setor de viagens e turismo.
No contexto atual, é importante ressaltar que, apesar do alerta de pandemia nível 6, restrições a viagens não foram recomendadas pela OMS. Isso porque se entendeu que a limitação ao deslocamento e a imposição de outras restrições teriam efeitos marginais na contenção da difusão do vírus e, ao mesmo tempo, constituiriam medidas altamente perturbadoras para a comunidade global.
Atualmente, a OMS considera a severidade do vírus moderada. No entanto, a OMS já chamou a atenção para a conhecida instabilidade dos vírus influenza. O desenvolvimento futuro deste vírus permanece incerto e a severidade da pandemia pode mudar com o tempo.
* Assistente do secretário geral e porta-voz da OMT.
One response to “Turismo internacional, crise econômica global e o vírus influenza A(H1N1)”
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oi muito bom esse estudo