Pontes Quinzenal • Volume 3 • Número 18 • 13 de outubro de 2008
Relatório da UNCTAD sobre investimentos avalia desempenho da América Latina
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Estável e sem grandes tropeços, apesar da crise financeira: é assim que a performance dos investimentos na América Latina e Caribe (ALC) durante o ano de 2007 é avaliada pelo relatório World Investment Report, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, sigla em inglês). Em níveis mundiais, o documento posiciona a região em segundo lugar em recepção de investimentos estrangeiros diretos (IED), com 6,9% do total, atrás da Ásia, com 13,6%. Contudo, o documento aponta que a região deverá enfrentar importantes desafios para fazer melhor proveito de capitais destinados a investimentos em infra-estrutura.
O relatório, que concentra sua análise nos setores de infra-estrutura (transporte, telecomunicações, água e eletricidade), identifica um crescimento de 36% nos fluxos de IED em direção à ALC durante 2007, alcançando um total de US$ 126 bilhões. Os principais beneficiados por este novo impulso são Brasil, México e Chile. A América do Sul, em geral, favoreceu-se significativamente dos altos preços dos produtos básicos, registrando um crescimento de 66% nos investimentos, equivalentes a US$ 72 milhões. A América Central e o Caribe também foram beneficiados, ainda que a indústria “maquiladora” (produção para a exportação) continue perdendo espaço para a concorrência asiática. Destacam-se, nesta região, México, Costa Rica e República Dominicana, nos setores imobiliário e de turismo.
De acordo com os dados apresentados pela UNCTAD, o setor primário foi o mais beneficiado pelos investimentos na ALC, com destaque para a mineração e a indústria extrativista. Por outro lado, o setor petroquímico atraiu níveis relativamente baixos de IED, o que se explica pela presença dominante ou exclusiva de empresas petrolíferas estatais em alguns dos principais produtores da região (como Brasil, Venezuela e México). Nos casos de Venezuela, Bolívia e Equador, especificamente, o mau desempenho é explicado por mudanças drásticas no regime tarifário e nas relações contratuais com firmas estrangeiras. No Brasil, destaque deve ser conferido aos investimentos em mineração, que aumentaram mais de 5 vezes em 2007, somando US$ 3,3 bilhões.
Apesar da tendência de predominância dos investimentos no setor de produtos básicos, notou-se em 2007 um fortalecimento dos investimentos industriais, alimentados pelo aumento da demanda interna e externa. No Brasil, destacam-se os setores de metalurgia, alimentação, plástico e borracha, oleaginosos, biocombustíveis, celulose, e indústria química e mineradora. Brasil e México foram objeto das principais aquisições nos setores de aço e biocombustíveis. A indústria automotriz, por sua vez, continua representando um papel significativo na ALC, com destaque para o incremento da produção em Brasil, Argentina e México.
Em contrapartida, os fluxos de investimentos feitos pelos países da ALC no exterior diminuíram em 17%, a um total de US$ 52 bilhões. Uma das causas foi a redução dos investimentos brasileiros no exterior - de US$ 28 bilhões em 2006 para US$ 7 bilhões em 2007 -, ainda que o relatório aponte que os níveis de investimento do país no exterior estejam retornando à normalidade. Tal redução reflete o fato de que os investimentos foram destinados, em sua maioria, a projetos de novos empreendimentos (greenfield), ao invés de fusões e aquisições, principais receptoras de investimentos brasileiros em 2006 – quando a aquisição da mineradora canadense Inco pela Vale do Rio Doce movimentou US$ 17 bilhões, no maior investimento brasileiro já realizado no exterior.
Resta esperar para ver se, apesar da crise financeira, as previsões do relatório para o ano de 2008 serão confirmadas: suas estimativas são de crescimento do ingresso de IED na América do Sul, motivados pelo crescimento econômico e pelos altos preços das commodities.
Tradução, adaptação e complementação de artigo originalmente publicado em Puentes Quincenal, Vol. 5; N. 18, 7 out. 2008.
Fontes Consultadas:
UNCTAD. World Investment Report. Disponível em: <http://www.unctad.org/sp/docs/wir2008overview_sp.pdf>. Acesso em: 08 out. 08.
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