Pontes Quinzenal • Volume 3 • Número 19 • 27 de outubro de 2008
Crise financeira aumenta protecionismo argentino
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Em resposta aos impactos da crise internacional sobre a balança comercial argentina, o executivo daquele país preparou medidas restritivas às importações, em uma atitude de manifesto protecionismo à sua indústria nacional. Na semana passada, a Aduana argentina incluiu 120 produtos – vários deles fabricados no Brasil – em uma lista de 22 mil itens que enfrentarão maior rigor para entrar no mercado do país. Em especial, tais produtos estarão sujeitos a um regime de preços de referência, que determina valores mínimos de comercialização a serem estabelecidos unilateralmente. As autoridades argentinas afirmam que mais de 70% dos produtos visados são provenientes da Ásia e refutam que as importações com origem no Brasil sejam objeto da medida. Entretanto, produtos que compõem parcela significativa da pauta comercial com o Brasil foram afetados, dentre os quais destacam-se produtos dos setores têxtil, eletrônicos e eletrodomésticos da linha branca.
A justificativa argentina oficial para a adoção de tais medidas é o combate à evasão fiscal e às práticas de subfaturamento na importação de mercadorias, mas o contexto político-econômico pelo qual passa o país torna difícil ocultar motivações protecionistas. Os setores produtivos têm pressionado fortemente o governo a aumentar o protecionismo, temerosos de uma invasão de importações brasileiras, alimentadas pela desvalorização do real. Juan Lascurrain, presidente da União Industrial Argentina (UIA), defende publicamente que o governo argentino não deve contentar-se com o aumento das barreiras comerciais, mas sim promover uma política de desvalorização do peso que acompanhe a cotação do real. “Esperamos que o governo adote estas medidas em defesa do emprego dos argentinos”, afirmou Lascurrain. Os economistas, entretanto, não vêem a desvalorização do peso com bons olhos, dado o impacto inflacionário a ser provocado por tal medida. “Os industriais não deveriam se limitar a falar em desvalorização, mas buscar caminhos para serem mais competitivos”, afirmou Alfonso Prat-Gay, ex-presidente do Banco Central argentino.
Do lado brasileiro, o aumento das importações asiáticas também preocupa. No seio do Mercosul, busca-se encontrar soluções conjuntas, como é o caso da proposta de aumento da Tarifa Externa Comum (TEC) para produtos importados de países asiáticos – causam especial preocupação os têxteis chineses. Teme-se que a crise financeira global e uma possível queda na demanda dos países desenvolvidos façam com que os exportadores asiáticos aumentem sua oferta de produtos ao bloco. A problemática deverá ser tratada durante a sétima reunião extraordinária do Conselho do Mercado Comum, a ser realizada em Brasília nesta segunda-feira (27). O foco da reunião será a discussão de possíveis ações coordenadas pelos países do bloco, em resposta à crise financeira mundial.
Reportagem Equipe Pontes
Fontes consultadas:
Agência Brasil. Reunião de países do Mercosul deve ter discussões, mas não decisões, afirma Amorim (25/10/08). Disponível em: <http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/nacional/selecao_detalhe3.asp?ID_RESENHA=509363>. Acesso em: 25 out. 08.
BBC Brasil, Crise econômica gera tensão entre Argentina e Brasil (16/10/08). Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/10/081016_argentinabrasil_mc_ac.shtml>. Acesso em: 25 out. 08.
BBC Brasil. Brasil e Argentina estudam aumentar barreiras comerciais (13/10/08). Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/10/081013_argentinabrasilcrise_mc.shtml>. Acesso em: 25 out. 08.
Clarín. Amplían la protección contra las importaciones de China y de Brasil (17/10/08). Disponível em: <http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/internacional/selecao_detalhe3.asp?ID_RESENHA=506467>. Acesso em: 25 out. 08.
Clarín. Comienzan a aplicar medidas para frenar importaciones (18/10/08). Disponível em: <http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/internacional/selecao_detalhe3.asp?ID_RESENHA=506653>. Acesso em: 25 out. 08.
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