Pontes QuinzenalVolume 3Número 20 • 10 de novembro de 2008

Cepal destaca repercussões da crise na inserção mundial da América Latina e Caribe


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Apesar de apresentarem melhores condições para enfrentar a crise financeira global do que no passado, os países da América Latina e Caribe (ALC) devem crescer menos em 2009, um reflexo direto da desaceleração econômica dos principais países desenvolvidos (PDs). Esse dado faz parte das projeções contidas no relatório Panorama da Inserção Internacional da América Latina e do Caribe, divulgado recentemente pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). 

Segundo o documento, a região deve apresentar crescimento econômico médio de 3,5% em 2009, o que confirma a tendência de queda. Em 2007, a economia da região cresceu em média 5,7%, ao passo que a previsão para 2008 é de 4,5%. Entre as causas da queda no ritmo de crescimento, o relatório destaca: (i) o impacto da crise no comércio internacional; (ii) a diminuição na remessa de capital por parte dos imigrantes que trabalham nos Estados Unidos da América (EUA), a qual representa importante fonte de renda para alguns países, especialmente o México; (iii) a fuga de investimentos realizados na ALC para destinos considerados de menor risco; e (iv) o encarecimento do financiamento, o que dificulta a captação de recursos para os setores produtivo e comercial.

O estudo ressalva, contudo, que a intensidade da repercussão será diferente em cada país da região, em função do variado nível de dependência das economias que se encontram no foco da crise. Alguns fatores que devem influenciar o grau de impacto foram listados no documento, como a dívida pública e sustentabilidade das contas governamentais, a dependência de remessas e investimentos diretos para financiar a conta corrente, o grau de diversificação das exportações e a necessidade de importar alimentos e energia.

No que toca ao comércio, a parcela das exportações no Produto Interno Bruto (PIB) deve diminuir na média da região. Nesse passo, a América Latina será menos afetada do que os países da América Central, Caribe e México, mais fortemente vinculados ao mercado estadunidense. Ainda que o crescimento médio no volume das exportações aos EUA tenha diminuído de 7,5% em 2006 para 2,1% em 2007, o país ainda constitui o principal destino das exportações da região, absorvendo 20% de seu total. Por sua vez, a demanda da União Européia mantém-se estável, enquanto a das economias emergentes continua a apresentar alta média anual de 11%. O relatório alerta que as importações para a Ásia a partir da ALC podem ter seu ritmo reduzido em função do impacto negativo da queda na demanda estadunidense para produtos asiáticos, especialmente os chineses.

Outra realidade apontada pelo relatório consiste no impacto da elevação dos preços de produtos básicos para o comércio da ALC. Como a parcela dessa categoria de produtos na pauta de exportações – 40,5% em 2006 – é muito elevada na região, a alta nos preços das commodities vinha compensando a diminuição no volume exportado. Porém, o atual quadro de crise pode implicar em uma inversão dessa tendência de valorização. No Brasil, o prognóstico do estudo já pode ser observado na queda de preços dos produtos básicos, como pode ser  verificado nos últimos números publicados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Ver Pontes Quinzenal, Vol. 3, No. 19, disponível em:
http://www.direitogv.com.br/subportais/publicaçõe/PQ_3-19.pdf).

Além de recomendar a implementação de políticas macroeconômicas austeras, o estudo ressalta que a intensificação do intercâmbio comercial intra-regional deve apresentar-se como alternativa ao esfriamento na demanda dos EUA, Europa e Japão. O relatório destacou o Mercosul como importante fonte de desenvolvimento do comércio latino-americano nos próximos anos. O bloco deve ter sua relevância aumentada frente ao atual cenário de crise, cuja previsão de recuperação resta incerta.

Reportagem Equipe Pontes

Fontes consultadas:

Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe. Panorama da Inserção Internacional da América Latina e do Caribe. (__/10/2008). Disponível em: <http://www.eclac.org/cgi-bin/getProd.asp?xml=/publicaciones/xml/9/34329/P34329.xml&xsl=/comercio/tpl/p9f.xsl&base=/brasil/tpl/top-bottom.xsl>. Acesso em: 03 nov. 2008.

One response to “Cepal destaca repercussões da crise na inserção mundial da América Latina e Caribe”

  1. Blog do Danilo» Blog Archive » CEPAL e a crise na América Latina

    [...] Foi publicano, nessa semana, um relatório da Comissão Econômica da América Latina e Caribe, a CEPAL, comentando algumas possíveis repercussões da atual crise econômica na região. O texto abaixo é extraído do Pontes Quinzenal. [...]

  2. Anonymous

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