Pontes Quinzenal • Volume 3 • Número 20 • novembro de 2008
Mercosul propõe mais comércio e menos restrições para superar crise
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Um aumento nos fluxos de comércio intra-regional e a conclusão “equilibrada” da Rodada Doha podem compensar as perdas que o Mercosul sofrerá com a redução de suas exportações aos EUA e aos países da União Européia, provocada pela crise financeira. Foi esta a conclusão geral da VII Reunião Extraordinária do Conselho do Mercado Comum (CMC) do Mercosul, celebrada em Brasília, no último 27 de outubro.
Durante a reunião, o Chanceler argentino, Jorge Taiana, propôs várias medidas protecionistas como resposta à crise. Sua iniciativa, contudo, foi criticada por seus pares do Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Dentre as demandas apresentadas por Taiana estavam o incremento da alíquota da Tarifa Externa Comum (TEC) e, em particular, o aumento das tarifas incidentes sobre bens de capital, além da criação de uma “comissão de monitoramento do comércio”, cujo principal objetivo seria supervisionar os fluxos comerciais e determinar se os mesmos afetam os níveis de produção e emprego.
Diante de tais propostas, o Chanceler chileno, Alejandro Foxley, afirmou que o pior que poderia acontecer à região é a utilização da presente crise como desculpa para a reintrodução das políticas de cunho protecionista empregadas nos anos 60. Para Foxley, isto apenas criaria barreiras às economias e não resolveria os problemas. Seu homólogo brasileiro, Celso Amorim, afirmou que o bloco já possui mecanismos para alterar tarifas, ressaltando que a resposta à crise financeira não pode ser o protecionismo direcionado ao próprio Mercosul.
A reunião também serviu para que Uruguai e Venezuela definissem os detalhes de um acordo que objetiva agilizar o comércio bilateral. Em função deste acordo, a partir das próximas semanas 214 produtos uruguaios estarão isentos de tarifas no mercado venezuelano. Dentre tais produtos encontram-se mais de 100 medicamentos veterinários, produtos lácteos, vinhos e determinados cortes de carne.
No que tange ao curso da crise financeira, o grupo recomendou que se prossiga com a observação dos possíveis impactos nos mercados financeiros, em especial no que tange aos níveis de emprego e de produção. Os líderes presentes concordaram quanto à necessidade de uma reforma profunda e ampla da arquitetura financeira internacional, bem como de aperfeiçoar a regulação dos mercados de capitais.
Os ministros reunidos concordaram que, em função das sólidas bases macroeconômicas do Mercosul, a região estaria muito melhor preparada para enfrentar a crise do que em outros tempos. Além do incremento do comércio intra-regional, a adoção de mecanismos de integração financeira e o uso de moedas locais para o intercâmbio comercial foram propostos como possíveis medidas para a proteção do bloco contra a crise. Mencionou-se, de modo concreto, a necessidade da imediata implantação do Banco do Sul e da criação de um “sistema financeiro do sul”.
A próxima reunião deve ocorrer em 15 de dezembro.
Tradução e adaptação de texto originalmente publicado em Puentes Quincenal, Vol. 5, N. 20, 4 nov. 2008.
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