Pontes QuinzenalVolume 3Número 20 • novembro de 2008

Cúpula ibero-americana: crise financeira no centro das atenções


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Apesar da reunião entre os países ibero-americanos ter como objetivo discutir ações que atendam às necessidades dos jovens, o grande foco da cúpula deste ano foi a crise financeira. Neste sentido, decidiu-se apoiar a participação da Espanha na próxima reunião do G20 (coalizão de finanças), especialmente convocada para “refundar o capitalismo” e incentivar a participação universal na busca de uma solução para a crise.

Declaração para a juventude

A Declaração de São Salvador, marco da XVIII Cúpula Ibero-americana ocorrida em São Salvador entre os dias 29 e 31 de outubro, abordou uma série de temas caros ao bem-estar dos jovens, como o direito ao acesso e à permanecia no sistema de educação e a criação de políticas públicas que promovam a formação em tecnologia da informação e da comunicação. Cabe ressaltar que nenhuma das ações vem acompanhada de um instrumento que permita executar ou torne mandatório aquilo que foi acordado, com exceção do Projeto “Tecnologias da Informação, Conhecimento e Coesão Social (TIC)”.

Temas paralelos geram maior interesse

A discussão da crise financeira ofuscou a agenda oficial prevista. Ficou muito claro que a presença da Espanha no evento não estava relacionada ao tema juventude, mas sim ao desejo da Cúpula de formar um consenso ibero-americano financeiro, em especial no que tange aos três membros do G-20, Argentina, Brasil e México. A Espanha não faz parte do G20 e, portanto, não é formalmente convidada a participar de suas reuniões, mas tem recebido o apoio de alguns de seus membros, como China, França e Grã Bretanha e, recentemente, dos países latino-americanos mencionados acima.

Além da Declaração Oficial da Cúpula ibero-americana, outros documentos oficiais também foram publicados, entre eles um Comunicado Especial sobre a conjuntura econômica mundial. Neste comunicado, os governos recordaram a responsabilidade dos países desenvolvidos (PDs) na atual crise e enfatizaram a necessidade de que a comunidade ibero-americana faça parte da solução encontrada. O Presidente brasileiro, Luis Inácio Lula da Silva, afirmou, em comunicado oficial publicado dias antes da conferência, que a crise é de responsabilidade exclusiva dos PDs, mas que seus efeitos atingem todas as nações.

No documento oficial da Cúpula, os mandatários expressaram seu interesse em intervir ativamente no que chamaram de “uma transformação profunda e ampla na arquitetura financeira internacional”.

No que diz respeito ao comércio, o comunicado menciona sua relação com as finanças e urge a comunidade internacional a concluir a Rodada Doha tomando em consideração os interesses dos PEDs e eliminado as práticas que distorcem o comércio.

Bloqueio a Cuba

Os chefes de estado dos governos ibero-americanos também discutiram a mais recente resolução adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 29 de outubro passado, que repudia o bloqueio estadunidense a Cuba. Por meio de um Comunicado Especial, manifestaram sua oposição ao bloqueio e pediram ao governo dos Estados Unidos da América (EUA) que coloque um fim a tais medidas coercitivas e unilaterais.

Tradução de artigo originalmente publicado em Puentes Quincenal vol. 5, no. 20, 4 nov. 2008

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