Pontes Quinzenal • Volume 3 • Número 21 • 24 de novembro de 2008
Eleição de Obama é vista com otimismo
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A vitória de Barak Obama poderá trazer mudanças significativas na esfera comercial mundial. A eleição do primeiro presidente de origem africana na história dos Estados Unidos da América (EUA) menos de 50 anos após a queda das últimas barreiras raciais ao voto no país gerou expectativas positivas no âmbito multilateral. Na América Latina, os sentimentos são mistos.
Otimismo multilateral
Em relação ao papel do novo governo estadunidense no futuro das negociações comerciais da Rodada Doha, o Diretor Geral da OMC, Pascal Lamy, mostrou-se otimista ao afirmar que Obama possui uma visão do sistema internacional mais voltada às relações multilaterais. Ban Ki-moon, Secretário Geral das Nações Unidas, concorda com Lamy e lembra que, durante sua campanha eleitoral, Obama afirmou a necessidade pela construção de uma “nova era de associação global” e um “novo multilateralismo” – iniciativas positivas para organizações como a OMC e a ONU.
Pascal Lamy acredita ser errôneo considerar Obama e seu Partido Democrata “protecionistas”. Lamy explicou como a administração Obama contribuirá ao fortalecimento de uma política comercial mais liberal em seu país a partir de uma melhor política social. Para ele, o que muda com o Partido Democrata são os planos para a redução da insegurança social. A sensação de insegurança engendrada pelo livre comércio é mais forte nos EUA que em qualquer outro lugar, pois a rede de segurança social é mais “fina” neste país. Se os democratas aplicarem seu programa social, esse trará mais segurança aos americanos e facilitará as negociações comerciais internacionais. Lamy também ressaltou que Obama está mais preocupado com o futuro dos países em desenvolvimento (PEDs) que seus predecessores.
Reações mistas na América Latina
O Presidente mexicano, Felipe Calderón, indicou estar preocupado com uma possível volta do protecionismo nos EUA e até mesmo com mudanças no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês). Calderón referiu-se a uma proposta feita por Obama de renegociação dos tratados NAFTA e entre os EUA, a América Central e a República Dominicana (CAFTA-DR). Oscar Arias, Presidente da Costa Rica, espera maiores mudanças para os milhões de agricultores do mundo, os quais necessitam comercializar livremente com o mercado mais poderoso do planeta.
O Presidente Calderón também reconheceu a importância da proposta de Obama referente ao tema de imigração. Tal proposta prevê um processo ordenado de regularização para cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais nos EUA. Obama é fortemente apoiado pela comunidade mexicana nos EUA e Calderón espera que a agenda para imigração seja cumprida desta vez.
O Presidente colombiano, Álvaro Uribe, também felicitou o Presidente eleito Barak Obama, mas mostrou-se preocupado com relação à opinião de Obama quanto ao Acordo de Promoção Comercial (ACP) entre seu país e os EUA – o qual a Câmara estadunidense não quis discutir nem votar. Segundo Uribe, seria preferível que a votação ao ACP fosse realizada ainda durante o governo Bush, pois esse último tem mostrado-se bastante comprometido com o tema. O presidente colombiano lembrou que Obama foi contrário ao ACP com a Colômbia e solicitou mudanças importantes para o mesmo, dentre as quais encontram-se questões relativas a padrões de trabalho e ambientais e à eliminação de normas que impedem o acesso a medicamentos.
Por sua vez, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, espera que Obama tenha uma política mais voltada ao desenvolvimento produtivo da América Latina e demonstre uma relação mais forte com a região. Lula também ressaltou a necessidade de conclusão das negociações multilaterais comerciais da Rodada Doha antes que o presidente eleito assuma seu posto, em 20 de janeiro de 2009.
Os Presidentes de Bolívia e Venezuela, Evo Morales e Hugo Chávez, respectivamente – os quais têm mantido relações muito tensas com a atual administração estadunidense –, manifestaram sua esperança pelo restabelecimento e melhora das relações entre seus países e os EUA sob a presidência de Obama. Enquanto Chávez espera que Obama acabe com a atitude “imperialista” dos EUA, Morales, por sua vez, pretende que o presidente eleito restabeleça as preferências comercias à Bolívia, eliminadas por Bush.
Tradução e adaptação de artigo originalmente publicado em Puentes Quincenal Vol V, No. 21, 18 nov. 2008.
One response to “Eleição de Obama é vista com otimismo”
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Obama devia evitar manter no seu governos, aqueles que o mundo considera de mal feitores, os Republicanos.Que só sabem resolver os problemas a força, unilateralmente.Não sei, o Bush deveria ser julgado no Tribunal de Genocídio contra a humanidade, não só julgar governos dos países pobres.O Obama deve aceitar que há difrenças no mundo,para tal é preciso saber respeitar essas mesmas diferenças, pautar pelo diálogo e não a violência.