Pontes QuinzenalVolume 4Número 2 • fevereiro de 2009

Desemprego assume foco da crise econômica


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O aumento do desemprego em escala mundial nos últimos meses tomou o primeiro lugar na atenção da mídia no que diz respeito à crise. A cada dia são veiculadas novas notícias sobre demissões em massa e revisão dos dados sobre os índices de desocupação.

Nos Estados Unidos da América (EUA), apenas no dia 24 de janeiro, foram anunciadas 74 mil demissões, um recorde histórico. Entre as empresas que despediram funcionários figuram Caterpillar, Pfizer, Nextel, Home Depot, Phillips e Dutch Bank. O Escritório Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, sigla em inglês) confirmou que a perda de 1,2 milhão de postos em 2008 foi o principal fator para determinar que a economia estadunidense havia entrado em recessão.

Nesse cenário, a criação de até 4 milhões de empregos foi o principal mote do lançamento do novo pacote de recuperação econômica dos EUA. O discurso adotado pelo Presidente Barack Obama nas primeiras semanas de seu mandato buscou restabelecer a confiança no mercado de trabalho, após a forte onda de demissões dos últimos meses. A saída de mais pessoas do mercado de mão-de-obra resultou em aumento da taxa de desemprego para 7,5%, índice não equiparado desde 1992.

Na Europa, o crescimento do desemprego tem provocado protestos voltados a restringir a entrada de imigrantes, principalmente não europeus. Como essa categoria costuma receber remuneração inferior à média da região, tem sido considerada ameaça mais sensível aos postos dos cidadãos locais em tempos de crise. Na Inglaterra, os protestos atingiram repercussão maior por meio de duas greves em usinas energéticas levadas a cabo pelos funcionários, em decorrência da contratação de imigrantes por salários reduzidos. Temendo manifestações semelhantes, o governo britânico dispensou cerca de 200 trabalhadores do leste europeu envolvidos nas obras de preparação para as Olimpíadas de 2012, para dar lugar a ingleses.

Ao contrário do que se esperava que ocorresse nos países emergentes – apontados como o motor do crescimento durante a crise –, os índices de desemprego nessas economias sofreram forte elevação no último trimestre. A compressão da demanda pelos países desenvolvidos, com consequente queda nas exportações, somada à baixa nos preços das commodities agrícolas, já se fizeram sentir na forma de desaceleração econômica. A baixa na produção tem sido acompanhada por dispensas maciças.

As taxas de desemprego no Brasil e na Rússia atingiram 7,2% e 7,7%, respectivamente – marca semelhante à estadunidense –, o que representa uma reversão da sustentada tendência de queda observada anteriormente. A China divulgou o retorno de 20 milhões de trabalhadores para a zona rural, por falta de empregos na cidade.

Os pacotes de recuperação econômica e outras medidas isoladas têm sido lançados pelos governos com o intuito de revitalizar as economias, na esperança de impedir a evolução do desemprego e criar novos postos. Dentre essas ações, destacam-se: gastos públicos em setores estratégicos como infraestrutura e energia; cortes tarifários para estimular produção e consumo; e incremento dos recursos destinados a auxiliar as classes atingidas pelas dispensas ou redução nas jornadas e salários.

Ainda que os planos apresentem os resultados esperados, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em seu mais recente relatório sobre a situação do emprego, projetou aumento de 30 milhões de desempregados no mundo. Na hipótese de insucesso nos pacotes e medidas de alívio, o número pode saltar para 51 milhões.

Reportagem Equipe Pontes.

Fontes consultadas:

Organização Internacional do Trabalho. Global Employment Trends. (__/01/09). Disponível em: . Acesso em: 04 fev. 2009.

O Estado de São Paulo. Europeus reagem a trabalhador estrangeiro. (03/02/2009). Disponível em: . Acesso em: 03 fev. 2009.

O Estado de São Paulo. Lula: desempregados devem ter dobrado no final de 2008. (15/01/2009). Disponível em: . Acesso em: 17 jan. 2009.

O Estado de São Paulo. Banco Mundial prevê crise de desemprego em 2009. (14/12/2008). Disponível em: . Acesso em: 12 jan. 2009.

Folha de São Paulo. Com crise global, 20 milhões de chineses perdem emprego. (03/02/2009). Disponível em: . Acesso em: 03 fev. 2009.

Folha de São Paulo. Governo amplia o seguro-desemprego a afetados pela crise. (12/02/2009). Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2009.

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