Pontes QuinzenalVolume 4Número 4 • março de 2009

Cúpula sul-africana sobre mudanças climáticas: conclusões pessimistas sobre Copenhague


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Após reunião sobre mudanças climáticas em Johanesburgo, África do Sul, oficiais sul-africanos concluíram que um acordo abrangente em Copenhague no final deste ano é improvável, haja vistas os interesses divergentes entre países desenvolvidos (PDs) e países em desenvolvimento (PEDs).

A cúpula que ocorreu entre os dias 3 e 6 de março teve início com tom otimista. O Ministro do Meio Ambiente e Turismo da África do Sul, Marthinus van Schalkwyk, pediu aos participantes que não descartassem a possibilidade de que a reunião em Copenhague resulte em um sucessor ao Protocolo de Quioto. Schalkwyk ressaltou a importância de que o acordo que será discutido no final do ano apresente vinculações legais, as quais também devem ser aplicadas às decisões sobre financiamento e transferência de tecnologia.

Diferentemente do Ministro, alguns analistas acreditam que será difícil obter compromissos dos principais PEDs e de PDs como os Estados Unidos da América (EUA). O Acordo de Quioto, vigente atualmente, não possui nenhuma vinculação legal (binding commitment) de PEDs, motivo pelo qual os EUA insistiram, em ocasiões passadas, que seu comprometimento a um acordo sobre mudanças climáticas dependeria do nível de participação dos principais PEDs, por exemplo, China e Índia. Estes, por sua vez, afirmam que não podem se comprometer a reduzir suas emissões sem que obtenham dos PDs compromissos significativos em transferência de tecnologia.

A África do Sul – a maior economia africana e o mais importante emissor de dióxido de carbono do continente – opõe-se fortemente a qualquer acordo que divida os PEDs em dois grupos distintos: defende que os PEDs sejam tratados de maneira similar.

O país africano é conhecido por sua liderança na luta contra as mudanças climáticas. No entanto, os oficiais reunidos em Johanesburgo afirmaram que preferiam perseguir seus objetivos unilateralmente, ao invés de aceitarem uma agenda imposta por meio de um acordo em Copenhague.

Oficiais afirmaram também que a falta de clareza na posição dos EUA relativa às mudanças climáticas – apesar das recentes sinalizações de proatividade na abordagem dessa temática – está comprometendo um possível acordo em Copenhague. Diversos países estão à espera da definição do alcance dos compromissos estadunidenses para formularem suas próprias posições.

Apesar disso, a África do Sul sugere um compromisso que modificaria o acordo atual. Sandea de Wet, uma das representantes do país, afirmou que seria ideal permanecer com o acordo de Quioto e apenas emendá-lo. No entanto, não acredita que a União Europeia estaria de acordo com tal procedimento sem que haja um compromisso da parte dos EUA.

Tradução e adaptação de artigo originalmente publicado em Bridges Trade BioRes Vol. 9 No. 4 - 06 mar. 2009.

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