Pontes QuinzenalVolume 4Número 4 • março de 2009

China aumenta gastos agrícolas frente à crise global


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A resposta da China à crise econômica global, um pacote de estímulo de US$ 585 bilhões que serão aplicados ao longo de dois anos, inclui aumento nos gastos agrícolas em cinco vezes, passando de US$ 18 bilhões a US$ 106 bilhões. Estima-se que o governo chinês gastará aproximadamente US$ 26 bilhões para estocar commodities como grãos e óleos comestíveis.

A população rural da China – cerca de 700 milhões de habitantes – depende fortemente da agricultura como fonte de renda e subsistência. Ainda que a economia chinesa tenha crescido a dois dígitos na última década, os índices de crescimento da renda rural variaram apenas entre 6 e 8%. De modo similar, o aumento da produção agrícola – por exemplo, de grãos – não acompanhou os altos índices de crescimento, variando entre 0,7 e 9% nos últimos cinco anos.

Cabe destacar que alguns especialistas atribuem o aumento observado na produção agrícola da China às colheitas abundantes, e não a melhorias na produtividade agrícola doméstica. Profissionais do setor privado como Liu Yonghao, presidente do Grupo New Hope, o maior produtor agrícola da China, acreditam que o país precisa “aumentar a produtividade rural antes de aumentar o consumo rural”.

O aumento do consumo rural tem constituído importante componente dos planos de Pequim para manter o crescimento econômico. Para este fim, foi incluída no pacote de estímulo uma série de medidas sobre subsídios para equipamentos eletrônicos e outros bens. O governo também buscou tratar do desemprego, uma vez que a renda obtida por trabalhadores migrantes contribui para mais da metade da renda de toda a população rural, de acordo com Song Hongyuan, diretor do Centro de Pesquisa para a Economia Rural no Ministério da Agricultura. Aproximadamente 10 milhões de trabalhadores migrantes já perderam seus empregos como resultado da crise econômica global.

Além do declínio na renda rural, a política agrícola do governo também se fundamenta em preocupações relacionadas a segurança alimentar. O pacote de estímulo econômico contém muitas provisões sobre o uso de energia renovável, mas permanece incerto se as práticas agrícolas intensivas observadas atualmente serão alteradas. Segundo Lin Erda, da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, o rendimento agrícola declinará cerca de 14 a 23% em 2050 se o consumo de água e a degradação ambiental não forem tratados.

Comparativamente a outros Membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), a China concede poucos subsídios agrícolas. A Estimativa de Porcentagem de Apoio ao Produtor – indicador da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) que busca ilustrar o nível de concessão de subsídios agrícolas – do país atualmente está em torno de 7%. Por outro lado, os países desenvolvidos (PDs) que figuram entre os principais produtores agrícolas – tais como os Estados Unidos da América (EUA) e os Membros da União Europeia (UE) – possuem, em média, 18 e 33%, respectivamente. Grandes fornecedores de subsídios, por exemplo, Suíça e Noruega, apresentam estimativas em torno de 70%.

A forma com que o pacote de estímulo chinês será utilizado pode ser mais importante do que sua escala. A combinação correta de políticas pode evitar uma crise alimentar futuramente e tornar a capacidade de produção agrícola doméstica “mais verde”. No entanto, um deslize pode conduzir à diminuição do nível de emprego e renda na China rural.

Tradução e adaptação de texto originalmente publicado em Bridges Weekly Trade News Digest, Vol. 13, No. 9 - 11 mar. 2009.

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