Pontes Quinzenal • Volume 4 • Número 5 • março de 2009
Angola avança em direção à produção de biocombustíveis
Discuss this articleShare your views with other visitors, and read what they have to say
Angola não integra, até o presente, o grupo de países produtores de biocombustíveis. A fim de reverter esse quadro, o governo angolano estuda a aprovação de uma lei para promover o desenvolvimento do setor, além de realizar incentivos e investimentos estatais em infraestrutura. Um importante passo nessa direção foi o lançamento de um projeto para a construção de uma usina voltada à produção de etanol, açúcar e bioeletricidade. A unidade será instalada em Acuso, município da província angolana de Malanje.
O plano prevê a ocupação de 30 mil hectares para o cultivo de cana-de-açúcar e o investimento de US$ 258 milhões. O projeto constitui uma iniciativa da Companhia de Bioenergia de Angola (BIOCOM), joint venture formada pela construtora brasileira Odebrecht, a estatal Sonangol e o grupo privado Damer, ambos angolanos.
Até 2012, data prevista para que a construção seja concluída, foi estipulada como meta de produtividade a geração de 30 milhões de litros de etanol, 250 mil toneladas de açúcar e 160 mil Megawatts/hora de bioeletricidade por ano. Inicialmente, a produção será direcionada ao abastecimento do mercado interno, porém a perspectiva é de que haja excedentes para exportação em médio prazo. A BIOCOM prevê, ainda, a instalação de outras unidades no país.
Além de participar da execução e gestão do projeto, o Brasil contribuirá com transferência de tecnologia, vez que o país possui décadas de experiência na produção de biocombustíveis. Eduardo Leão de Sousa, Diretor-Executivo da União da Indústria de Cana-de-açúcar (UNICA), ressalta que a participação de Angola no setor é promissora, pois além das condições agrícolas e climáticas propícias, sua localização geográfica favorece o escoamento da produção para a União Europeia (UE). Como ex-colônia de Portugal, Angola possui também preferência comercial, o que lhe confere a vantagem de exportar para o bloco sem sobretaxa. Leão de Sousa destacou, ainda, que a cooperação brasileira em termos de transferência de tecnologia não se restringe ao setor agrícola, mas deverá se estender ao automotivo, como no desenvolvimento de motores flex-fuel.
O projeto faz parte dos esforços do governo angolano para reduzir a dependência de açúcar importado e o consumo de combustíveis fósseis no país. Como a adoção do etanol como combustível permanece indefinida pelo governo, a atividade da usina será voltada inicialmente para a fabricação de açúcar. Contudo, as oportunidades geradas pela inclusão do etanol na matriz energética despertaram o interesse governamental e privado no país africano. Além da liberação da comercialização para abastecimento da frota de automóveis, o governo prepara um pacote legislativo para regular a produção de biocombustíveis. Segundo a Deputada angolana Emília Dias, a legislação aprovada deverá tomar em consideração preocupações de viés ambiental e social.
Reportagem Equipe Pontes.
Fontes consultadas:
Governo da República de Angola – Ministério da Agricultura. Biocombustíveis esperam legislação. (30/01/2009). Disponível em: <http://www.minagri.gov.ao/NoticiaD.aspx?Codigo=6307>. Acesso em: 23 mar. 2009.
Governo da República de Angola. Angola prepara-se para produzir biocombustíveis. (19/11/2008). Disponível em: <http://www.angola-portal.ao/PortaldoGoverno/NoticiaD.aspx?Codigo=5579>. Acesso em: 23 mar. 2009.
Governo de Angola - Portal das Empresas. Bioenergia em Angola começa a funcionar em 2012. (17/03/2009). Disponível em: <http://www.angolanainternet.ao/portalempresas/index.php?option=com_content&task=view&id=1155&Itemid=65>. Acesso em: 23 mar. 2009.
União da Indústria de Cana-de-açúcar. Produção de cana-de-açúcar abre espaço para energias renováveis em Angola. (16/03/2009). Disponível em: <http://www.unica.com.br/noticias/show.asp?nwsCode=%7B86484478-8D75-4DC9-8BED-D348E4A1B701>. Acesso em: 17 mar. 2009.
Add a comment
Enter your details and a comment below, then click Submit Comment. We’ll review and publish the best comments.