Pontes QuinzenalVolume 4Número 6 • abril de 2009

Formas alternativas de financiamento para o comércio bilateral Brasil-Argentina


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Com o agravamento da crise econômica global, a oferta de crédito no mercado internacional foi reduzida drasticamente, o que se mostrou extremamente prejudicial ao comércio, que deverá sofrer retração de 9% no ano de 2009, segundo previsão publicada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) no último dia 23.

No entanto, a intensificação do comércio internacional é uma das principais saídas para a superação dos efeitos da crise, conforme evidenciado pela reunião do G-20 no início de abril, em que foi aprovado um pacote de estímulo ao comércio no valor de US$ 250 bilhões.

O comércio bilateral Brasil-Argentina já começou a sentir os efeitos da crise econômica e da retração das linhas de crédito ao comércio. No primeiro bimestre do ano, as exportações do Brasil para a Argentina caíram 49%, e as importações, 44%. A imposição de barreiras comerciais tem constituído objeto de desavenças entre empresários brasileiros e argentinos. Ademais, são crescentes as demandas de empresas do Cone Sul por novas formas de financiamento ao intercâmbio comercial, de modo a manter o comércio internacional ativo.

Bancos públicos oferecem crédito

Na atual conjuntura internacional, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tornou-se o principal aliado do governo brasileiro na contenção dos impactos da crise. Com mais de R$ 100 bilhões em recursos para investir em infra-estrutura e abrir linhas de financiamento, o BNDES ainda não recebeu pedidos muito expressivos. No entanto, o financiamento do banco às exportações atingiu R$ 6,6 bilhões em 2008, 54% a mais do que no ano anterior. Isso se deve às fortes quedas na oferta de crédito por parte das instituições privadas com o agravamento da crise.

As linhas de financiamento do BNDES incluem várias modalidades de apoio à exportação, garantidas pelo Seguro de Crédito da Seguradora Brasileira de Créditos à Exportação, bem como o apoio financeiro a investimentos. Dentre essas opções, destaca-se o BNDES-exim, programa de estímulo à exportação brasileira de bens e serviços de maior valor agregado com vistas à sua inserção em mercados competitivos. A iniciativa tem funcionado bem no âmbito da América do Sul, o que contribui para a aproximação dos mercados do Cone Sul e a presença de empresas brasileiras na região.

Análogo ao BNDES na Argentina, o Banco de Investimento e Comércio Exterior (BICE) também conta com uma série de linhas de financiamento à exportação, ainda que com menor abrangência em comparação ao programa do banco brasileiro. A meta do BICE é fomentar o investimento produtivo e o comércio exterior de empresas argentinas, de modo a fortalecê-las fora do país. De forma indireta, o BICE pretende elevar o número de postos de trabalho e contribuir para o desenvolvimento da Argentina. As linhas de financiamento do BICE contam com o pré-financiamento e pós-financiamento das exportações, além de seguro de crédito para cobrir os riscos associados às operações de troca.

China: novas perspectivas de financiamento

Diante da carência de recursos dos bancos estadunidenses e europeus, os bancos chineses tendem a se fortalecer no mercado internacional. Com efeito, estes contrariaram tendências globais ao registrarem aumento de 31% no lucro de 2008 para 2009. No contexto latino-americano, a recente e gradual aproximação entre China e América Latina coloca o país asiático como alternativa viável à obtenção de crédito.

Em janeiro, o país integrou-se ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e, no último dia 30, na conferência de presidentes de bancos centrais do BID, declarou que seu setor financeiro estava preparado para expandir a cooperação com a América Latina. Nesse sentido, o Banco Central Chinês assinou um acordo de troca de moeda com o Banco Central da Argentina no montante de US$ 10,2 bilhões.

No Brasil, o Banco da China prepara-se para inaugurar sua primeira agência da América do Sul concomitantemente à abertura de uma linha de financiamento de US$ 11 bilhões para o país. O Banco de Desenvolvimento da China, outro grande banco chinês, passa por avaliação do Banco Central para entrar no Brasil.

Segundo o Embaixador brasileiro em Pequim, Clodoaldo Hugueney, além de linhas de financiamento para empresas e comércio, negocia-se a participação chinesa no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O Banco de Desenvolvimento da China pretende colocar à disposição da Petrobrás a quantia de US$ 10 bilhões. Oferecerá, ainda, um pacote de US$ 800 milhões ao BNDES e de US$ 100 milhões para o Itaú, a exemplo do acordo de assistência financeira firmado com o BICE no final de março, que aumentou em US$ 30 milhões a sua linha de financiamento às exportações e a projetos de inversão de empresas argentinas.

Reportagem Equipe Pontes.

Fontes Consultadas:

BICE. El Banco de Desarrollo de China acuerda nueva asistencia financiera con el BICE. (23/02/2009). Disponível em: . Acesso em: 5 abr. 2009.

BNDES. Exportação e Inserção Internacional. Disponível em: . Acesso em: 4 abr. 2009.

Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico. China disposta a fomentar cooperação financeira com América Latina. (31/03/2009). Disponível em: . Acesso em: 4 abr. 2009.

O Estado de São Paulo. BNDES muda atuação na crise. (06/04/2008). Disponível em: . Acesso em: 4 abr. 2009.

Valor Econômico. Capitalizados, bancos chineses desembarcam este ano no Brasil. (31/03/2009). Disponível em: . Acesso em: 2 abr. 2009.

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