Pontes QuinzenalVolume 4Número 6 • abril de 2009

Países africanos lançam iniciativa de infra-estrutura para intensificar comércio


Discuss this articleShare your views with other visitors, and read what they have to say

Três comunidades econômicas da África anunciaram planos na última semana para a realização de uma nova iniciativa de infra-estrutura com o propósito de aumentar os fluxos comerciais dentro do continente. Com o apoio de governos externos por meio de doações, os grupos planejam criar uma rede de transportes confiável e eficiente que atravesse oito países africanos, da África do Sul à República Democrática do Congo. O custo do projeto, chamado Corredor Norte-Sul, é estimado em US$ 1 bilhão.

Juma Mwapachu, secretário-geral da Comunidade da África Oriental, afirmou que o continente precisa de estruturas de governança próprias para aumentar a integração regional. Segundo Mwapachu, o aperfeiçoamento da infra-estrutura é essencial para que se possa intensificar os fluxos de comércio. Sem esse aperfeiçoamento, não se pode otimizar o comércio e aproveitar o amplo espaço de troca criado na África.

Autoridades esperam que o projeto permita aos produtores concorrer em outros mercados regionais e internacionais por meio de exportações mais eficientes, redes de transporte aperfeiçoadas, além de medidas para renovar o fornecimento e a transmissão de energia.

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, que comparecerá a uma reunião sobre o projeto em abril, disse que o Corredor Norte-Sul ajudará a promover o desenvolvimento e reduzir a pobreza. “Tais iniciativas nunca foram mais urgentes do que no momento atual da crise econômica global”, ressaltou Lamy.

De fato, metade dos 26 países apontados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como “altamente vulneráveis” aos efeitos da desaceleração econômica se encontra na África.

No último ano, em razão do repentino aumento nos preços das commodities, a África acumulou US$ 800 bilhões em receitas oriundas do comércio, mas há previsões de que este valor seja reduzido em 20 ou até 25% para 2009 e 2010.

Muitos fatores desencadearam os problemas econômicos do continente, com destaque para a diminuição na ajuda por meio de doações dos países ricos, bem como a redução nos fluxos de investimentos externos e remessas à África por parte de africanos que vivem fora do continente. Soma-se a isso a escassez generalizada de crédito, que dificulta a situação de exportadores africanos que dependem de financiamento.

Dominique Strauss-Kahn, diretor do FMI, em uma conferência no mês passado, ressaltou que a África não deve ser esquecida em meio à desaceleração global. “Não se trata apenas de proteger o crescimento econômico e as receitas domésticas – trata-se também da contenção do risco de tensões civis, talvez até de guerra. Trata-se de pessoas e de seus futuros”, disse Strauss-Kahn.

Tradução de texto originalmente publicado em Bridges Weekly Trade News Digest, Vol. 13, No. 12, 1 abr. 2009.

Add a comment

Enter your details and a comment below, then click Submit Comment. We’ll review and publish the best comments.

required

required

optional