Pontes Quinzenal • Volume 4 • Number 9 • 25th May 2009
América Latina sairá da crise antes que países desenvolvidos: FMI
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As economias latino-americanas sofrerão contração de 1,5% em 2009 e, apenas no ano seguinte, voltarão a experimentar taxas positivas de crescimento, em torno de 1,6%, segundo as últimas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). Chile, Colômbia, Peru e Uruguai foram apontados como países que sairão da crise econômica mundial mais rapidamente.
O prognóstico do FMI não é nada otimista. Em seu último informe sobre as perspectivas econômicas para a América Latina e o Caribe, “as tensões financeiras mundiais se mostraram muito mais severas e prolongadas do que o previsto”. A desaceleração econômica será generalizada na região, sendo mais pronunciada nos países exportadores de matérias-primas e naqueles que possuem vínculos mais estreitos com a cadeia mundial de produção industrial.
O FMI destacou alguns fatores de propagação da crise que condicionarão a retração econômica prevista para a América Latina, por exemplo, a existência de mais restrições ao financiamento externo e a redução da demanda por exportações, particularmente em um de seus principais parceiros comerciais: os Estados Unidos da América (EUA). Outro fator está diretamente relacionado à queda abrupta de 33% nos preços das matérias-primas regionais, as quais somente serão valorizadas em 2010 – a uma taxa relativamente baixa, de 3%. Tais números variam de acordo com o país analisado, já que não se pode ignorar que alguns são tanto exportadores quanto importadores de matérias-primas.
Destaca-se, ainda, a redução das receitas oriundas das remessas de capitais e do turismo. A taxa de crescimento das remessas de capitais latino-americanas – que, desde 2000, estava em torno de 15% – apresentou desaceleração em meados de 2006 e em alguns países chegou a se retrair. Por sua vez, calcula-se que a arrecadação do setor de turismo diminua mais neste ano do que em 2008, o que também projetaria efeitos negativos no setor da construção civil.
Impacto social
“O impacto social da crise mundial é cada vez mais visível”, asseverou o relatório, que ressaltou tendências preocupantes como a elevação do desemprego em vários países, fenômeno que tem sido agravado pelo fato de o seguro desemprego apresentar, em geral, baixa cobertura em muitos países da região. Outra implicação social da crise destacada pelo estudo diz respeito ao aumento no preço dos alimentos, que se conservaram estáveis até o terceiro trimestre de 2008. A combinação deste fator com a desaceleração econômica teria contribuído para a frenagem na redução da pobreza. Nesse sentido, a queda no volume de remessas de capitais teria consequências negativas para o combate à pobreza, em vista da relevância das remessas de capitais especialmente para os lares de baixa renda.
Melhor preparados
A despeito desse cenário de lenta recuperação econômica, a região pode esperar um
desempenho produtivo superior ao dos países desenvolvidos (PDs), para os quais o FMI projeta retração de 3,8% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 e crescimento nulo em 2010.
Igualmente, as projeções atuais do FMI indicam que a América Latina apresenta melhor desempenho de recuperação econômica, comparativamente a crises anteriores. Isto pode ser explicado pela implementação, nos países latino-americanos, de melhores marcos de política macroeconômica. Além disso, o sistema financeiro regional não foi abalado pelos problemas bancários sistêmicos. O FMI espera que as políticas anticíclicas empregadas pelos governos como resposta à crise – como investimentos em infra-estrutura e redes de proteção social – rendam frutos nos períodos futuros de crescimento econômico.
Finalmente, o FMI estima que, entre os países latino-americanos, alguns sairão da crise mais rapidamente que outros, por exemplo, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai. Para Nicolas Eyzaguirre, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo, esta situação não decorreu de um impacto menor da crise nesses países, mas sim de um melhor comportamento do ponto de vista macroeconômico, já que eles se prepararam para a turbulência, e hoje apenas colhem os dividendos do trabalho realizado.
Tradução e adaptação de texto originalmente publicado no Puentes Quincenal, Vol. 6, No. 9 - 19 de maio de 2009.
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