Pontes QuinzenalVolume 4Número 11 • junho de 2009

BDA e BID formam rede para incrementar comércio Ásia-América Latina


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O Banco de Desenvolvimento da Ásia (BDA) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) firmaram no último dia 4, em Manila (Filipinas) um pacto de cooperação em matéria de investimentos. A proposta é interligar mais de 100 instituições financeiras em uma rede que deverá permitir o acesso a garantias financeiras mútuas. Conforme esclarece o diretor do financeiro do BDA, Steven Beck, o funcionamento do acordo envolve o convite para que bancos emissores do BDA participem como bancos confirmadores do BID e vice-versa. Bancos emissores são os responsáveis pela abertura de crédito no exterior, ao passo que os confirmadores assumem incondicionalmente o compromisso de pagamento ao beneficiário da negociação.

Essa iniciativa faz parte de uma estratégia de ampliação do Programa de Facilitação ao Comércio Internacional (TFFP, sigla em inglês) de ambas as entidades. Com pequenas diferenças decorrentes das regras de cada instituição, pode-se dizer que o TFFP tem como objetivo comum auxiliar bancos de desenvolvimento a promover o comércio e a consolidação de parcerias, seja pelo oferecimento de garantias ao crédito, ou por financiamentos para empresas exportadoras e importadoras. Com a simplificação do sistema de acesso das garantias entre os TFFPs dessas regiões, pretende-se mitigar os riscos e promover o seu incremento do comércio inter-regional, o qual é considerado baixo.

Assimetrias entre Ásia e América Latina

Atualmente apenas a China constitui exceção a essa regra, pois tem isoladamente ampliado sua participação no mercado latino-americano, segundo dados do relatório anual do BDA publicado em maio deste ano. Além da ampla distribuição, a “sofisticação” é uma marca das exportações chinesas, que têm se consolidado nas duas regiões. Nos termos do relatório, a sofisticação corresponde a um índice calculado com base na associação entre produtividade e padrão de especialização das exportações. Esse índice oferece uma referência para os economistas avaliarem a absorção e êxito na venda dos produtos de determinado país no mercado internacional. De acordo com o estudo, apenas México e países do leste asiático possuem padrões de sofisticação comparáveis aos de países de renda elevada.

Para os especialistas, o êxito dos países asiáticos é explicado por sua capacidade de formação de redes complementares de produção industrial entre os próprios parceiros regionais, como em uma cadeia produtiva. Na Ásia, essa integração responde por quase metade do comércio total, ante os 21,5% da América Latina e Caribe. Para que a integração latino-americana seja impulsionada, o BDA aconselha a redução de tarifas sobre importados manufaturados, promoção de investimentos estrangeiros diretos, além de reformas na infra-estrutura e melhorias nas telecomunicações.

Por fim, outro desafio é a necessidade de alteração do perfil exportador dos países latino-americanos, atualmente muito centrados no fornecimento de produtos primários: entre 1996 e 2006, a exportação desse gênero passou de 25% a 30% das remessas. Por sua vez, a China ampliou a margem de produtos com maior valor agregado, maquinário para indústrias e produtos eletrônicos.

Postura ativa dos bancos abre novas oportunidades

Na visão dos representantes do BDA e do BID, a aproximação de interesses entre bancos e produtores do leste asiático e da América Latina figura, no atual momento de crise, como ferramenta de diversificação comercial relevante para o rearranjo econômico dos países em desenvolvimento (PEDs) envolvidos. Dessa forma, tal cooperação enfatiza não somente o papel dos bancos como financiadores da indústria doméstica, como também de agentes econômicos multilaterais, importantes para a manutenção da regularidade e correção das assimetrias no comércio internacional.

Reportagem Equipe Pontes

Fontes Consultadas:

BDA. PRC-Latin America Economic Cooperation: Going beyond Resource and Manufacturing Complementarity. (14/05/2009). Disponível em: . Acesso em: 13 jun. 2009.

BID. BID e ADB compartilharão redes para promover o comércio sul–sul. (4/06/2009). Disponível em: . Acesso em: 13 jun. 2009.

Carnegie. The role of multilateral development banks in emerging market economies. (26/01/2001). Disponível em: . Acesso em: 14 jun. 2009.

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