Pontes QuinzenalVolume 4Número 11 • junho de 2009

Fórum Econômico Mundial: impactos da crise econômica sobre África e Ásia


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Entre os dias 10 e 12 de junho, ocorreu na Cidade do Cabo (África do Sul) o Fórum Ecônomico para a África. O evento compõe uma série de fóruns regionais promovida pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, sigla em inglês) que, neste ano, já apresentou edições voltadas à América Latina (14 a 16 de abril) (ver Pontes Quinzenal, Vol. 4, No. 7, 28 abr. 2009, http://ictsd.net/i/news/pontesquinzenal/45663/) e ao Oriente Médio (15 a 17 de maio).

O impacto da crise financeira global sobre o continente constituiu o tema central do Fórum Ecônomico para a África. Os representantes dos países africanos comprometeram-se a direcionar esforços à manutenção da estabilidade e segurança no continente para que a desaceleração do crescimento econômico não leve, no longo prazo, à perda das conquistas sociais obtidas na última década.

Apresentação de relatórios no evento

No lançamento do Relatório Anual do Painel de Progresso da África (APP, sigla em inglês), Kofi Annan, ex-secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), pediu aos líderes africanos para que transformem a atual crise econômica em oportunidades para o continente. Com base no relatório, ressaltou que a África deve fundamentar sua agenda de desenvolvimento em parcerias e no compartilhamento de responsabilidades. Neste sentido, o relatório enfatiza que o continente ainda carece de investimentos em infra-estrutura, energias renováveis, agricultura e comunicação para poder gerar empregos e intensificar o comércio, criando novos mercados. Destaca-se a necessidade de assistência imediata para manter os fluxos financeiros e a possibilidade de parcerias com países emergentes como Brasil, China e Índia.

Ainda segundo o estudo, o principal desafio enfrentado pela África atualmente consiste na manutenção da estabilidade e do progresso, o que inclui a redução da pobreza e a consecução das Metas de Desenvolvimento do Milênio. Segundo Kofi Annan, ainda que todos tenham que contribuir, “a maior responsabilidade recai sobre os líderes políticos da África”.
No contexto do evento, foi apresentado outro relatório, o Africa Competitiveness Report 2009, que analisa o atual cenário dos negócios no continente africano. O estudo, realizado mediante parceria do Banco de Desenvolvimento Africano com o Banco Mundial e o WEF, conclui que é necessário resistir às pressões para a imposição de barreiras comerciais no curto prazo, melhorar os sistemas de saúde e educação, bem como fortalecer as instituições no longo prazo.

Novos parceiros

Acompanhando a tendência de aprofundamento da cooperação econômica Sul-Sul, o evento reservou espaço para debates acerca das novas oportunidades de parceria entre o continente africano e outros países em desenvolvimento (PEDs). De acordo com as lideranças reunidas, estas parcerias são promissoras, haja vista a experiência de alguns PEDs em lidar com problemas como segurança alimentar e saúde, áreas de interesse dos países africanos. Cabe destacar, entretanto, que tais parcerias devem ser fortalecidas principalmente no tocante à infra-estrutura.

Meio ambiente

Com a aproximação da Conferência sobre o Clima – que será realizada em Copenhague em dezembro –, foram também debatidas as políticas ambientais dos países africanos. Segundo Buyelwa Sonjinca, ministra das questões relacionadas à água e ao meio ambiente da África do Sul, os ministros africanos que se reuniram em maio em Nairobi (Quênia), concordaram que o continente deve direcionar igual atenção à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e à adaptação a seus efeitos. No entanto, é preciso que o diálogo entre os países africanos seja intensificado para que apresentem um posicionamento comum em Copenhague.

Tratou-se, também, do problema da água – o qual deve sofrer degeneração mesmo que as mudanças climáticas não sejam severas – e do desmatamento das florestas tropicais na África. No que diz respeito a essas temáticas, as lideranças enfatizaram as dificuldades do continente para implementar medidas de combate às mudanças climáticas.
Fórum Econômico Mundial sobre o Sudeste Asiático
Pouco após o Fórum dedicado à África, foi realizado novo evento, desta vez com enfoque nos efeitos da crise econômica para o Sudeste Asiático. O Fórum, que ocorreu em Seul (Coreia do Sul) nos dias 18 e 19 de junho, contou com a participação de mais de 300 pessoas, dentre os quais importantes políticos, executivos e intelectuais, com o objetivo de facilitar a cooperação regional e internacional.

Os painéis do Fórum abordaram temas como a questão da segurança no continente asiático – tendo em vista, principalmente, a ameaça nuclear representada pela Coreia do Norte –, o papel do G-20 e da Ásia na superação da crise econômica mundial e os impactos sociais da crise no continente asiático.

Apesar de reconhecerem que a Ásia já atravessou o pior momento da crise, os líderes presentes no evento acreditam que os riscos permanecem. Assim, recomendam aos governos locais a formulação de estratégias para acabar com o excesso de liquidez gerada pelos programas de estímulo e evitar medidas protecionistas. Ademais, enfatizam a necessidade de se encontrar equilíbrio entre regulação e flexibilidade e aconselham os países asiáticos a utilizarem a crise como forma de aprofundar a integração regional.

Segundo Rajat M. Nag, diretor geral do Banco de Desenvolvimento Asiático, o continente irá liderar a recuperação mundial da crise econômica e terá papel essencial na reforma da governança global. Neste sentido, ressaltou-se que o fato de a Coreia do Sul assumir a liderança do G-20 em 2010 permitirá ao país defender não somente os interesses de seu continente, mas também a consecução de objetivos globais. Dentre eles, destacam-se a estabilização da economia mundial, a reestruturação de instituições relevantes à governança internacional, abordagem coordenada entre os países para a definição de taxas de juros e políticas cambiais, além do combate à pobreza.

Tendo em vista a preocupação atual da comunidade internacional com as questões ambientais, o evento também abordou as iniciativas de países asiáticos que visam à criação e ao emprego de tecnologias verdes. China, Japão e Coreia do Sul devem liderar a implementação de um modelo de desenvolvimento sustentável na Ásia, servindo de exemplo para outros países do continente. Política de destaque no evento, o “Green New Deal”, adotado pela Coreia do Sul como forma de combate à crise econômica, tem por objetivo a criação de empregos e a revitalização da economia sem perder de vista o desenvolvimento sustentável. Segundo Han Seung-Soo, primeiro ministro da Coreia do Sul, o país “reconhece a relação simbiótica entre o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental”. Ainda neste ano, o país divulgará novo plano de crescimento, desta vez totalmente baseado no desenvolvimento verde.

Reportagem Equipe Pontes

Fontes Consultadas:

Africa Progress Panel. Crisis facing Africa can be turned into an opportunity. (10/06/2009). Disponível em: . Acesso em: 14 jun 2009.

World Economic Forum. The Africa Competitiveness Report 2009. (10/06/2009). Disponível em: . Acesso em: 14 jun 2009.

World Economic Forum. World Economic Forum on Africa. (10/06/2009). Disponível em: . Acesso em: 13 jun 2009.

World Economic Forum. World Economic Forum on East Asia. (18/06/2009). Disponível em: . Acesso em: 19 jun 2009.

World Economic Forum. World Economic Forum on East Asia – Briefing Material. (18/06/2009). Disponível em: . Acesso em: 19 jun 2009.
BBC. African leaders ‘must shape up’. (11/06/2009). Disponível em: . Acesso em: 14 jun 2009.

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