Pontes Quinzenal • Volume 4 • Número 12 • 6 de julho de 2009
Indústria da carne firma compromisso público em prol do bioma amazônico
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No último dia 23, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) anunciou que o setor adotará um código de conduta para evitar o abate e o processamento de gado criado em regiões de desmatamento ilegal na Amazônia. A Abiec vinha sendo constantemente pressionada por organizações não-governamentais (ONGs) e por compradores internacionais para tomar esta decisão.
No início de junho, o Greenpeace divulgou estudo intitulado Slaughtering the Amazon (Abatendo a Amazônia), em que constata a devastação do bioma amazônico pelo avanço da pecuária na região. Segundo a organização, o Estado brasileiro é conivente com este avanço, pois financia a indústria da carne, não fiscaliza as atividades do setor, além de aprovar leis que prejudicam a proteção do bioma (ver Pontes Quinzenal, Vol. 4, No. 10, disponível em: http://ictsd.net/i/news/pontesquinzenal/48216/). O relatório considera, ainda, os grandes compradores de carne como co-responsáveis pelas práticas ilegais perpetradas na região. Após a divulgação do estudo, Pão de Açúcar, Wal-Mart e Carrefour, maiores redes de supermercado do país, anunciaram que suspenderão a compra de carne de 11 frigoríficos apontados como compradores de gado de áreas de desmatamento ilegal na Amazônia.
Neste cenário, os frigoríficos decidiram aderir à causa. A Mafrig Alimentos, importante exportador de carne do Brasil, anunciou, no último dia 22, que não irá adquirir, abater ou comercializar carne de gado proveniente do bioma amazônico. A empresa comprometeu-se a trabalhar em parceria com os governos estaduais para desenvolver um programa de garantia de origem dos animais. Juntamente com o Estado de Mato Grosso, trabalhará na implementação do Programa MT Legal, o qual promoverá a regularização ambiental e agrária nos municípios do estado. Outros dois importantes frigoríficos, JBS Friboi e Bertin, também declararam que irão aderir à causa e monitorar os pecuaristas.
O governo também estimulará os programas de vigilância da atividade pecuarista. O Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, declarou que o ministério elabora projeto para a fixação de guias eletrônicas nos animais. Com elas, será possível verificar o local em que o gado é criado e monitorar o seu deslocamento. Como pré-requisito à obtenção das guias eletrônicas, os pecuaristas devem realizar o georreferenciamento de suas propriedades. Caso não se proceda desta forma, o gado não receberá a guia eletrônica e não poderá ser abatido, tampouco exportado.
Mais recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), acusado por ONGs de financiar o desmatamento na Amazônia, anunciou, em conjunto com os grandes frigoríficos do país, a preparação de um compromisso ambiental. Este compromisso prevê uma série de exigências para a concessão de empréstimos por parte do Banco, entre elas, a implementação de um programa de monitoramento que permita identificar a procedência da carne que chega aos supermercados. Os empréstimos estariam condicionados à constatação de que a carne produzida não resultou em impactos ambientais sobre a Amazônia.
Reportagem Equipe Pontes
Fontes Consultadas:
Abiec. BNDES vai exigir rastreabilidade dos frigoríficos. (02/07/2009). Disponível em: . Acesso em: 3 jul 2009.
Abiec. Cadeia produtiva de carne vai adotar código de conduta. (24/06/2009). Disponível em: . Acesso em: 3 jul 2009.
Agência Brasil. Pecuária na Amazônia terá guia eletrônica para fiscalizar o transporte de animais. (24/06/2009). Disponível em: . Acesso em: 2 jul 2009.
Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso. Lideranças partidárias conseguem aprovação do programa MT Legal. Disponível em: . Acesso em: 3 jul 2009.
Greenpeace. Slaughtering the Amazon. (01/06/2009). Disponível em: . Acesso em: 30 jun 2009.
O Estado de São Paulo. Wal-Mart assina pacto ‘verde’ com cadeia de fornecedores. (24/06/2009). Disponível em: . Acesso em: 2 jul 2009.
Valor Econômico. Cresce o cerco ao boi na Amazônia. (24/06/2009). Disponível em: . Acesso em: 30 jun 2009.
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