Pontes Quinzenal • Volume 4 • Número 12 • 6 de julho de 2009
Lula defende interesses agrícolas brasileiros na África
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Com um discurso enfático à necessidade da promoção de investimentos e parcerias agrícolas na África, o presidente Lula participou da 13ª Cúpula da União Africana, realizada em Sirte, Líbia, entre os dias 1º e 3 de julho. Diante do tema “Investindo na agricultura para o crescimento econômico e a segurança”, Lula voltou a defender a importância do que chama de “revolução dos biocombustíveis” e propôs a realização, no Brasil, de uma conferência de ministros africanos de agricultura para discutir o desenvolvimento do setor no continente. Lula foi homenageado como convidado de honra, ao lado dos secretários-gerais da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, e da Liga Árabe, Amre Moussa.
A aproximação entre Brasil e África em matéria de cooperação agrícola parece render frutos. Um estudo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, sigla em inglês) e do Banco Mundial, divulgado no último dia 22 de junho, traça uma comparação entre a savana africana e o cerrado brasileiro, sustentando que investimentos estrangeiros associados à utilização de tecnologias adequadas poderiam transformar a savana em um dos centros de cultivo de grãos e alimentos mais produtivos do mundo. O estudo corrobora tese defendida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que tem no avanço de cultivos no cerrado brasileiro uma de suas principais conquistas.
O representante regional da Embrapa para a África, Cláudio Bragantini, endossa a análise do relatório, que aponta a parceria com países desenvolvidos (PDs) como uma alternativa para o desenvolvimento da região. “Nos anos 80, o Cerrado contou com um volumoso investimento japonês na produção de grãos. Agora, eles querem a nossa ajuda para levar esse mesmo projeto para a África”, afirmou Bragantini, que revelou estar sendo contatado por agências governamentais japonesas para a elaboração de projetos. Bragantini defendeu ainda que tais projetos seriam favoráveis aos interesses brasileiros, na medida em que proporcionaria a venda de tecnologia e máquinas. “A ideia da cooperação também traz novos mercados para uma área importante da agricultura nacional”, concluiu.
O discurso do presidente Lula na abertura da Cúpula da União Africana é mais uma demonstração dos esforços diplomáticos brasileiros para a aproximação com a África – que resultaram na multiplicação por cinco dos volumes do comércio bilateral na última década. Contudo, especialistas afirmam que os esforços brasileiros não seriam isolados, tampouco pioneiros. Ao contrário, acompanhariam passos semelhantes tomados por outros países emergentes como China e Índia, processo que teria sido iniciado durante os anos 80. José Flávio Saraiva, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), afirma que a presença chinesa na África constitui fator de forte competição com os interesses brasileiros. “Os chineses têm muito mais financiamento. Se o Brasil entra com US$ 1 bilhão, US$ 2 bilhões nos projetos, os chineses entram com US$ 30 bilhões, US$ 40 bilhões”, afirma. Para o especialista, os conflitos de interesses são mais agudos nos setores de extração mineral, serviços e construção civil. O setor agrícola seria, assim, um domínio em que a influência brasileira seria naturalmente mais intensa, o que explicaria a posição prioritária do tema na agenda bilateral.
Reportagem equipe Pontes.
Fontes consultadas:
Agência Brasil. Lula defende parceria com países ricos para desenvolvimento de países africanos. (01/07/09). Disponível em: . Acesso em 05 jul. 09.
Agência de Notícias Brasil-Árabe. Brasil quer ajudar ‘revolução verde’ na África. (02/07/09). Disponível em . Acesso em 05 jul. 09.
Correio Braziliense. Lula na África: Brasil abre espaço entre gigantes. (02/07/09). Disponível em . Acesso em: 05 jul. 09.
Folha de São Paulo. Lula será convidado de honra em cúpula da União Africana. (26/06/09). Disponível em . Acesso em: 05 jul. 09.
O Estado de São Paulo. Embrapa quer exportar alimento produzido na África. (23/06/09). Disponível em . Acesso em 05 jul. 09.
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