Pontes QuinzenalVolume 4Número 14 • agosto de 2009

China investe na substituição do carvão pelo gás natural


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Mais uma vez, a combinação entre crescimento econômico e equilíbrio ambiental está no centro das discussões. Na mesma semana em que especialistas em meio ambiente divulgaram o relatório Emissões de CO2 e Energia na China, com propostas drásticas de corte das emissões de gases do efeito estufa (GEEs) até 2050, o país asiático assinou um acordo de US$ 41 bilhões com a Exxon, para obtenção de gás na Austrália. Esses eventos, além de evidenciarem o potencial do mercado energético chinês, que se tornou o terceiro no mundo, também revelam uma preocupação das autoridades locais com a implementação de políticas afinadas com a sustentabilidade.
 
Para alguns especialistas, as perspectivas mais pessimistas apontam para um acréscimo na demanda por combustíveis de, no mínimo, 93 bilhões de toneladas até 2020. Se considerada isoladamente a gasolina, o aumento previsto é de 26%. Em geral, reconhece-se que, independentemente do cenário de expansão econômica chinesa, qualquer elevação no uso de fontes de energia convencionais, como carvão e petróleo, possui efeitos relevantes do ponto de vista climático.
 
Matriz energética em transição lenta
 
No momento, o governo chinês tem privilegiado investimentos em três setores: hidrelétrico, de energia nuclear e de gás natural. Com enfoque nesses segmentos, o governo visa a reduzir a participação do carvão – fonte de 75% da energia elétrica produzida no âmbito doméstico atualmente – e do petróleo – que representa mais de 10%. Das alternativas propostas, o gás natural tem recebido maior respaldo por parte de ambientalistas, que o consideram superior às demais fontes energéticas, em razão das baixas emissões de poluentes atmosféricos e pelo impacto ambiental relativamente menor de sua exploração. Para 2010, pretende-se que 20 gigawatts sejam fornecidos por meio do gás natural.
 
Não obstante, cabe mencionar que tais mudanças devem seguir um ritmo mais moroso do que aquele do crescimento econômico chinês. Apesar de iniciativas como o Programa Nacional de Mudanças Climáticas e os Planos Quinquenais de Energia, voltados à adoção de estratégias de redução do consumo e diversificação da matriz energética, outros fatores agregam complexidade ao problema. De acordo com dados de um relatório do Centro de Estudos da Ásia e Pacífico sobre Energia, a produção de energia a partir do carvão ainda é mais barata se cotejada com outras variedades. No caso do gás natural, há uma sobrecarga de custo de aproximadamente 60%. Somente no longo prazo e com a adoção de tecnologias para incrementar a eficiência das usinas a gás, seria possível convertê-la em fonte energética preferencial. A opção por uma matriz “limpa”, assim, depende de uma avaliação econômica e política que exige projeções duradouras e expectativas de retorno financeiro mais modestas.
 
Preparação para dezembro                  
 
O posicionamento da China diante dos desafios ambientais e energéticos mais recentes sinaliza o que se pode esperar das negociações da Conferência das Partes (COP, sigla em inglês), da qual deverá resultar o sucessor do Protocolo de Quioto. A 15ª edição da COP ocorrerá em dezembro, em Copenhague (Dinamarca).
 
Ao contrário do conjecturado por muitos analistas, o discurso chinês tem sido – com as devidas limitações – consoante com as metas de desenvolvimento sustentável geralmente circuladas nos fóruns internacionais. Embora o corte definitivo nas emissões não tenha sido firmado, as ações governamentais, a exemplo do contrato entre Petrochina e a Exxon Austrália para fornecimento de gás natural e o projeto da primeira cidade verde da China, em Dongtan,  permitem vislumbrar um cenário de progressos tímidos e constantes.
 
Nesse quadro,  a China não se comprometeria a cortar em 20% as emissões, como sugerido pelos Estados Unidos da América, mas modificaria gradualmente sua matriz de energia para um modelo próximo da sustentabilidade ambiental e econômica.
 
Reportagem Equipe Pontes
 
Fontes Consultadas:
 
Reuters. Exxon, China signs $41 billion Australian gas deal. Disponível em: <http://www.reuters.com/article/businessNews/idUSTRE57H20A20090818>. Acesso em: 24 ago. 2009.
 
Asia Pacific Research Centre. Energy in China: Transportation, Electric Power and Fuel Markets, 2004. Disponível em: <http://www.ieej.or.jp/aperc/pdf/CHINA_COMBINED_DRAFT.pdf>. Acesso em: 25 ago. 2009.
 
Reuters. Estudo chinês propõe limite de emissões de CO2, com pico em 2030. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/08/17/estudo-chines-propoe-limite-de-emissoes-de-co2-com-pico-em-2030-757438663.asp>. Acesso em: 26 ago. 2009.
 

Pontes Bimestral.  No Epicentro de Copenhague: prioridades de Brasil, China e Índia. Vol. 5, No, 3, ago 2009.

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