Pontes Quinzenal • Volume 4 • Número 20 • dezembro de 2009
Relatório Stern brasileiro avalia consequências das mudanças climáticas até 2050
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Em 25 de novembro, o consórcio de instituições de pesquisa públicas e privadas Economia do Clima divulgou estudo intitulado Economia da Mudança do Clima no Brasil: custos e oportunidades. Coordenado pelos pesquisadores Carolina Dubeux, Jacques Marcovitch e Sérgio Margulis, o estudo foi inspirado no relatório Stern, produzido pelo Reino Unido, em 2006, para determinar os efeitos das mudanças climáticas sobre a economia brasileira. Da elaboração do documento, participaram 60 especialistas de diversas áreas, que utilizaram modelos climáticos e cenários produzidos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) para realizar avaliações setoriais.
Análise regional e setorial
Além das perdas econômicas, que variam entre R$ 719 bilhões a R$ 3,6 trilhões, há perspectivas de um aumento da pressão para produção de alimentos, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste, as quais serão menos afetadas de acordo com o estudo. No Nordeste, a redução do índice pluviométrico atingiria 2,5mm/dia até 2100, impactando a agricultura e a pecuária em até 25%. A diminuição da vazão dos rios, nesse contexto, também provocaria queda na geração de energia hidrelétrica. O documento mostra que pode haver, em âmbito nacional, perda de aproximadamente 30% de energia firme.
Na Amazônia, as previsões de savanização do geógrafo Aziz Ab’Saber devem se consolidar. O processo caracteriza-se pela redução da evapotranspiração, o que implica rareamento da cobertura vegetal no médio prazo. Em um ciclo vicioso, a redução da camada vegetal, causada pelas mudanças climáticas e pelo desmatamento, intensifica os períodos e severidade da seca e causa maior destruição da floresta. A tendência é que haja maior liberação de carbono para a atmosfera com a degradação do ecossistema. As zonas costeiras, por seu turno, precisariam receber R$ 93 milhões por ano para adaptarem-se à elevação do nível do mar e seus respectivos efeitos adversos.
Recomendações dos pesquisadores
Os especialistas apontam 14 medidas de prevenção e mitigação das mudanças climáticas, dentre as quais se destacam: o fortalecimento do mercado de carbono; a necessidade de apoio à produção de biocombustíveis; a urgência na redução do desmatamento na região Norte; a necessidade de taxar a tonelada de carbono entre US$ 30 e US$ 50; e a importância da realização de pesquisas com vistas ao desenvolvimento de cultivares mais resistentes às transformações climáticas que se aproximam. Para acesso à base de dados, consulte: <http://www.economiadoclima.org.br/site/?p=economia>.
Reportagem Equipe Pontes
Fontes Consultadas:
BBC Brasil. Brasil pode perder até R$ 3,6 trilhões com mudanças climáticas. (25/11/2009). Disponível em: <http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2009/11/25/brasil-pode-perder-ate-r-36-trilhoes-com-mudancas-climaticas-diz-estudo.jhtm>. Acesso em: 30 nov. 2009.
Dubeux, Carolina Dubeux; Marcovitch, Jacques; Margulis, Sérgio (coords.). Economia da mudança do clima no Brasil: custos e oportunidades - Resumo Executivo. Disponível em: < http://www.economiadoclima.org.br/files/biblioteca/RESUMO_FINAL.pdf>. Acesso em: 6 dez. 2009.
Valor Econômico. Brasil “limpo” permitiria PIB maior, aponta estudo. (25/11/2009). Disponível em: <http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/11/25/brasil-limpo-permitiria-pib-maior-aponta-estudo>. Acesso em: 28 nov. 2009.
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