Pontes Quinzenal • Volume 5 • Número 1 • fevereiro de 2010
Casa Branca lança iniciativa comercial com foco em exportação
Discuss this articleShare your views with other visitors, and read what they have to say
Os Estados Unidos da América (EUA) decidiram direcionar maior atenção a temas comerciais, após um ano sem priorizá-los em sua agenda de política externa. Na primeira semana de fevereiro, o governo estadunidense lançou a Iniciativa Nacional para a Exportação, com o objetivo de duplicar as exportações do país em cinco anos.
O programa será executado em três frentes: expansão da defesa do comércio nas esferas doméstica e internacional; auxílio para que empresas – principalmente as de pequeno e médio porte – tenham acesso ao crédito necessário para exportação de seus produtos; e fortalecimento das regras de comércio a fim de que os exportadores estadunidenses não tenham seu acesso ao mercado estrangeiro injustamente bloqueado.
De acordo com o secretário de comércio, Gary Locke, a Iniciativa visa a corrigir um ponto frágil da política econômica dos EUA, o qual teria permitido que outros países superassem a competitividade da indústria estadunidense.
Três TLCs ainda estão pendentes
No que diz respeito a novos mercados, Locke destacou o trabalho que o representante dos EUA para assuntos comerciais (USTR, sigla em inglês) está empreendendo para ampliar o comércio em “áreas-chave para o crescimento” na Ásia e em outras regiões, bem como seus esforços para alcançar um acordo “ambicioso e equilibrado” nas negociações da Rodada Doha da Organização Mundial de Comércio (OMC).
O secretário de comércio também mencionou que será direcionada maior atenção aos três tratados de livre comércio (TLCs) ainda pendentes no Congresso estadunidense – com a Colômbia, o Panamá e a Coreia do Sul. Contudo, o secretário do Tesouro dos EUA apresentou uma perspectiva diferente a respeito dos referidos TLCs, ao afirmar que ainda existem preocupações consideráveis quanto aos acordos pendentes.
Os três TLCs mencionados foram negociados durante a gestão de George W. Bush, mas ainda dependem da aprovação do Legislativo. O TLC com a Colômbia sofre oposição dos sindicatos, que sustentam que o país andino possui um histórico negativo no que tange à proteção dos direitos trabalhistas. A indústria automotiva estadunidense teme que o acordo com a Coreia do Sul resulte em um fluxo de importações baratas aos EUA. Por sua vez, organizações não-governamentais de comércio justo alertam que o TLC com o Panamá pode contribuir para o aumento da destinação de capitais dos EUA para este país latino-americano, considerado um paraíso fiscal.
Consultado sobre as perspectivas de aprovação dos acordos, Chuck Dittrich, do Conselho Nacional de Comércio Exterior, lobby baseado em Washington, afirmou que “ficaria agradavelmente surpreso” se algum destes TLCs fosse aprovado antes das eleições legislativas de novembro. No entanto, acrescentou que a aprovação dos referidos acordos não deveria constituir a única “medida do desempenho” da Casa Branca em matéria de comércio, uma vez que a administração planeja, ao longo de 2010, “definir as bases” de apoio público para uma agenda mais liberal nessa seara.
Obama: um ano de gestão
Durante seus primeiros 12 meses de gestão, o presidente Barack Obama fez poucas menções ao comércio e tomou poucas medidas na área. Talvez a única exceção tenha sido seu pronunciamento em setembro a respeito de novas tarifas sobre as importações chinesas de pneus. O comércio havia sido ofuscado na agenda da atual administração pela prioridade concedida aos embates domésticos nas áreas militar, econômica e de saúde.
Mas desde que decidiu concentrar maiores esforços na esfera comercial, o presidente estadunidense é demandado – em grande medida, por seu próprio partido – a adotar uma posição mais firme em matéria de comércio. No início de fevereiro, o senador pela Pennsylvania, Arlen Specter, do Partido Democrata, questionou se Obama apoiaria a revogação dos acordos comerciais já assinados com a China, os quais, segundo Specter, não foram capazes de evitar a prática ilegal de subsídios e dumping por parte do governo chinês. Obama sustentou que o futuro dos EUA será construído com base na capacidade do país de produzir bens vendidos no mundo inteiro. “A China será um de nossos maiores mercados (…) nos fecharmos àquele mercado corresponderia a um erro”, afirmou o presidente.
Apesar da nova retórica da Casa Branca no sentido de um maior ativismo comercial, as críticas destacam que, mais de um ano após a posse de Obama, diversos postos da equipe comercial dos EUA permanecem desocupados, notadamente aquele do embaixador do país perante a OMC, em Genebra.
Tradução e adaptação de texto originalmente publicado em Bridges Weekly Trade News Digest, Vol. 14, No. 5 - 10 fev. 2010.
Add a comment
Enter your details and a comment below, then click Submit Comment. We’ll review and publish the best comments.