Pontes QuinzenalVolume 5Número 5 • abril de 2010

Integração e cooperação no foco do Fórum Econômico Mundial para a América Latina


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O Fórum Econômico Mundial (WEF, sigla em inglês) para a América Latina de 2010 deixou uma mensagem clara: é necessária uma maior integração entre os países da região. A quinta versão do WEF, finalizada em 8 de abril, em Cartagena (Colômbia), contou com a participação de mais de 500 empresários com interesse na região.
 
O evento colocou em evidência a importância da integração e da cooperação entre os países da América Latina, situação que tem sido bastante complicada por conta das diferenças políticas e ideológicas existentes no continente. O empresariado expressou, entretanto, que não se deve tomar o comércio como uma ferramenta para fins políticos, em clara alusão aos conflitos econômicos ocorridos.

 
Marisol Argueta de Barillas, diretora sênior para a América Latina do WEF, avalia que a economia da América Latina apresentou bom desempenho durante a crise mundial do ano passado, comparativamente a outras regiões do mundo. Na Europa e nos Estados Unidos da América (EUA), a crise impactou a demanda por importações da América Latina, em contrapartida, os países asiáticos tentaram aumentar sua demanda nos últimos tempos. Para Barillas, a mudança de tendência nas relações comerciais abriu novas possibilidades, as quais devem ser exploradas.

 
Tal realidade torna notória a interdependência entre países asiáticos e latino-americanos. Contudo, Mauricio Cárdenas, diretor da iniciativa para a América Latina do Instituto Brookings, declarou que a lua-de-mel com a China terminou, pois as relações com este país serão mais difíceis no futuro. Parte deste risco pode ser observado no recente conflito comercial por restrições chinesas à compra de azeite de soja oriundo da Argentina.

 
É necessário que a região restabeleça seus conflitos internos, políticos e econômicos, para aproveitar a mudança na tendência comercial. Somente o tempo dirá se os países latino-americanos foram capazes de aproveitar a oportunidade de integrar-se em um grande bloco que permita tanto resolver os conflitos binacionais presentes como sustentar posições conjuntas em prol do desenvolvimento da região.


Corrupção: um empecilho para as economias latino-americanas

 
Mediante o estímulo da iniciativa privada chamada “Aliança contra a corrupção” (Paci, sigla em inglês), que será apoiada pelo WEF e por diferentes grupos privados da região, espera-se que o enraizado costume de subornar para agilizar trâmites e lograr licenças de operação seja eliminado. No entanto, o compromisso por meio de uma assinatura e a boa fé não são suficientes para solucionar o problema.

 
O Paci também conta com a cooperação de quatro entidades multilaterais: a Câmara de Comércio Internacional; a Transparência Internacional; a Organização para o Comércio e o Desenvolvimento Econômico (OCDE); e o Pacto Mundial das Nações Unidas. Atualmente, mais de 140 empresas no mundo todo fazem parte da iniciativa que incluiu compromissos de exigência das políticas anticorrupção e a promoção de códigos de conduta e políticas contra o suborno.

 
Segundo o Centro de Estudos Econômicos do Setor Privado do México (Ceesp), 9% do Produto Interno Bruto (PIB) anual mexicano é gasto com o pagamento de subornos. Ainda, o diretor associado do WEF, Michael Pedersen, enfatizou que o caso do México não é isolado: estima-se que, no mundo, o pagamento de subornos atinja US$ 1,3 bilhão.

 
Esta situação é comum na América Latina, onde a falta de estudos específicos de cada país não pode ocultar a presença de condutas empresariais corruptas. Será necessário um maior compromisso governamental e privado para impulsionar compromissos reais à luta contra a corrupção, parte do problema que torna a região o continente mais desigual do mundo. 
 
Tradução e adaptação de artigo originalmente publicado em Puentes Quincenal, Vol. 7, No. 7 - 14 abr. de 2010.

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