Pontes QuinzenalVolume 5Número 12 • julho de 2010

China reforça laços comerciais com Argentina, apesar de disputa sobre óleo de soja


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Em reunião realizada em Pequim, os chefes de Estado da Argentina e China evitaram discutir as restrições comerciais impostas desde abril pelo país asiático sobre a importação do óleo de soja argentino. Apesar da tensão bilateral despertada pela medida chinesa, Cristina Fernández de Kirchner e Hu Jintao assinaram 18 acordos durante os cinco dias de reunião. Tais entendimentos constituirão a base para dez projetos de infraestrutura que o país asiático pretende desenvolver na Argentina.
 
As referidas barreiras comerciais afetaram substancialmente o mercado argentino, maior exportador mundial de óleo de soja. Antes da restrição, as exportações do país sul-americano para a China – principal importador mundial de óleo de soja – totalizavam US$ 2 bilhões ao ano, gerando uma receita de aproximadamente US$ 600 milhões ao governo argentino.
 
Embora o governo chinês justifique a medida com base na insatisfação quanto à qualidade do produto, alguns analistas sustentam que as restrições impostas pela China representam uma reação a uma política antidumping aplicada pela Argentina contra produtos manufaturados chineses, tais como sapatos, têxteis e produtos derivados do aço.
 
Mesmo não descartando a importância da resolução do referido conflito comercial entre os países, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, declarou que o objetivo principal da visita ao país asiático não era resolver a questão do óleo de soja, mas dialogar sobre novas possibilidades de exportação para a indústria argentina.
 
Anteriormente à visita, outro oficial argentino de alto escalão ressaltara, entretanto, que ninguém ficaria satisfeito se a presidenta deixasse a China sem ter ao menos avançado em direção a uma solução de médio prazo ao problema. Com efeito, a persistência da suspensão das importações pode trazer problemas para a atual administração argentina, que já sofreu desgastes políticos neste ano. Na tentativa de amenizar a situação, Kirchner garantiu que encontraria outros compradores para o óleo de soja argentino, por exemplo, a Índia.
 
A única ação tomada pelas Partes reunidas em Pequim com vistas a tratar do conflito comercial foi o estabelecimento de uma comissão que analisará os diversos problemas bilaterais sem, contudo, entrar em detalhes.
 
Investimento em ferrovias: sinal de maior interesse chinês na América do Sul
 
Os dez projetos acordados durante a visita de Kirchner – que somam US$ 12 bilhões – envolvem a renovação do sistema ferroviário argentino e a construção de um metrô em Córdoba, segunda maior cidade do país. A melhoria do sistema ferroviário argentino interessa especialmente aos produtores agrícolas do país, que, diante da precariedade da malha ferroviária, transportam mais de 80% de seus grãos por meio de rodovias. Cabe destacar que o Brasil também possui um acordo importante em matéria de infraestrutura com a China, assinado em 2009 (ver Pontes Quinzenal,Vol. 4, No. 09 - 25 mai. 2009).
 
O comércio sino-argentino passou de US$ 4 bilhões em 2004 para US$ 14 bilhões em 2008. A Argentina é o segundo maior parceiro comercial da China na América do Sul, depois do Brasil. O comércio chinês com a região totalizou, em 2008, US$ 140 bilhões, número que Pequim pretende duplicar até o final de 2010. Nos últimos cinco anos, a China investiu US$ 6 bilhões no continente, sendo 45% deste montante destinados à Argentina.
 
Tradução e adaptação de artigo originalmente publicado em Bridges Weekly Trade News Digest, Vol. 14, No. 27 - 21 jul. 2010.

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